terça-feira, 15 de julho de 2014

Catherine Wheel - Judy Staring at the Sun (feat.Tanya Donelly)




From album: Happy Days (1995)





Resenha:

Escrito por: Alexandre Figueiredo Extraído do zine O Kylocyclo
Salvador, agosto de 2000.

Assim como Ride, Wedding Present, Wonder Stuff, Sundays, entre outras bandas, outro conjunto injustiçado pela mídia e pelo modismo de Seattle, o Catherine Wheel, fez do rock inglês do início dos anos 90 um cenário de canções melodiosas e bandas de personalidade peculiar.
Seu cantor e guitarrista, Rob Dickinson, tem uma peculiaridade. Ele é primo do Bruce Dickinson do Iron Maiden. No entanto, as convicções musicais dos dois são bem diferentes, daí que o parentesco nunca exerceu alguma influência.
O Catherine Wheel é até hoje um dos grupos ignorados pela grande mídia, a mesma que bajula, num exagero simétrico, o Iron Maiden.
O Catherine Wheel veio de uma cidade do litoral leste da Inglaterra, Great Yarmouth, menos famosa mundialmente. Rob Dickinson é músico desde os anos 80. Nessa época, ele e seu parceiro no CW, o também guitarrista Brian Futter, tocavam em diversas bandas locais. Dickinson era baterista. Eram bandas de pequena repercussão, restritas ao circuito de concertos nos pubs de Great Yarmouth. Uma dessas bandas era Ten Angry Men que, entre outros membros, tinha Neil Sims na percussão. Quando Rob se cansou da bateria, Neil tomou o posto, mas não no Ten Angry Men, que já havia extinto, mas em outras bandas em que se envolveram Dickinson e Futter. Neil viveu um tempo na Escócia e tocou em algumas bandas de lá até reencontrar os dois amigos.
Em junho de 1990 eles estavam à procura de um baixista. Eles enviaram um anúncio a um selo obscuro, Andys Records. Dave Hawes estava tocando numa banda de tributo ao Joy Division, chamada The Eternal (obviamente nada a ver com aquele grupinho pop de mocinhas inglesas chamado Eternal, que faz charm e não tem o menor vínculo com qualquer fiapo de rock).
Depois de alguns ensaios, a banda se formou e Rob se tornou o vocalista. Gravaram uma demo que foi enviada para o Arts Center de Norwich, cidade próxima a Great Yarmouth. Iniciaram uma série de concertos. A princípio tiveram problemas em definir o nome, mas Rob pensou em Catherine Wheel, que foi aprovado pelos demais integrantes. Conta Hawes: “gostei de imediato, já que havia um monte de bandas com nomes de apenas uma sílaba...”.
Em setembro de 1990 o Catherine Wheel estava em turnê acompanhado de quatro bandas conterrâneas quando um promotor do evento entrou em contato com o selo indie Wilde Club para recomendar a contratação da banda. A banda, que já tinha uma fita demo nas mãos, apenas gravou alguns overdubs e, em janeiro de 1991, foi lançado o primeiro compacto, She’s My Friend. Dias depois, Neil, que trabalhava numa refinaria de óleo, durante o expediente ouvia a BBC Radio One e o célebre radialista John Peel tocava uma música do CW. E não era o lado A do compacto, mas uma faixa do lado B, “Upside Down”. Hawes, no quarto de sua casa, ouviu a mesma música e ficou entusiasmado. “A grande façanha de John Peel é que ele pode tocar um lado B em contraponto à música de trabalho”, diz o baixista.
Depois, o Catherine Wheel assinou contrato com o selo Fontana, hoje do grupo Universal Music. Gravaram seu primeiro álbum, Ferment (1992), tendo o Tim Freese-Greene (produtor de inúmeras bandas, entre as quais Talk Talk, Lush e Danny Wilson) na produção. Deste álbum surgiram alguns hits, “Texture”, “I want to touch you” e “Swallow”.
O estilo do Catherine Wheel se apresentava a um público maior. Rock melódico, de inspiração nos anos 60, com a voz grave e suave de Rob, as guitarras ágeis mas sem preocupação com solos e uma postura musical sóbria, que fez do CW um grupo pouco badalado, porque não fazia exibicionismo. Apesar da agilidade instrumental, as músicas não eram muito agitadas e as distorções e o barulho eram coadjuvantes da arte melódica do grupo, que acabou sendo prejudicado pelos ataques da imprensa modista fora da Inglaterra à tal “cena que se celebra por si mesma”, que superestimou o rock de Seattle (menos criativo que o rock inglês de então) em detrimento da cena britânica que, se tinha o exibicionismo ou o hype de Transvision Vamp e Happy Mondays, tinha também a genialidade de Ride, Wedding Present e Catherine Wheel.
Lançaram outros discos, e outros destaques musicais vieram, como “Show me Mary”, “Black Metallic” e as covers de “Wish you were here”, do Pink Floyd, “I don’t want to know if you are lonely”, do Hüsker Dü, “Willing to wait” do Sebadoh e “Spirit of radio”, do Rush. Mesmo com esses covers, lançados em compactos, e o parentesco de Rob com o vocalista do Iron Maiden, o Catherine Wheel não conseguiu furar a hegemonia de Seattle no rock mundial.
No Brasil, sua divulgação foi quase inexpressiva, restrita aos programas específicos das ditas “rádios rock”, numa época em que até FM popularesca se maquiava de “rádio rock” para embarcar na onda do grunge. O programa que mais divulgou o Catherine Wheel foi o “Novas Tendências” de José Roberto Mahr, sujeito que, hoje em dia, não se sabe porque voltou ao rádio mas não à locução. Em 1992, o NT tocou as principais canções do álbum Ferment.
O único lançamento do Catherine Wheel no Brasil foi a música “Show me Mary”, do segundo álbum, Chrome, de 1993. Foi numa coletânea de pop e rock, dentro de uma série de coletâneas feitas por disc jockeys da antiga PolyGram (hoje Universal). O organizador da coletânea que incluiu o CW foi o DJ carioca Edinho Cerqueira, também músico e integrante da banda Kongo, que retomou as atividades. Fora isso nada da banda foi lançado, senão em raras cópias importadas por lojas especializadas (a PolyGram/Universal nunca bancou a importação dos discos do CW).
O Catherine Wheel participou de diversas coletâneas de várias bandas, na maior parte com uma música incluída. Um caso curioso foi a inclusão na coletânea da revista inglesa de rock pesado, Kerrang!, com uma versão ao vivo de “Texture”, gravada num concerto em Washington, nos EUA.
Em 2000 o grupo assinou com a Columbia Records (Sony Music) e lançou o álbum Wishville, em maio passado. O grupo segue fiel ao seu estilo, segundo dizem os especialistas em música ingleses. Bem que o Catherine Wheel poderia ser incluído no Rock In Rio III de 2001. Talvez ocorresse o início de uma popularidade fiel e singular, tal como ocorreu com a banda do primo Bruce, o Iron Maiden, que antes do Rock In Rio I de 1985 apenas tinha popularidade mediana.

Fonte: http://rlavandier.blogspot.com.br/2009/10/catherine-wheel.html?showComment=1405454981068
















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